Caatinga e Cerrado

29/04/2010 09:29

Localização  

 

A caatinga ocupa uma área de 734.478 km2 e é o único bioma exclusivamente brasileiro. Isto significa que grande parte do patrimônio biológico dessa região não é encontrada em outro lugar do mundo além de no Nordeste do Brasil.

A caatinga ocupa cerca de 7% do território brasileiro. Estende-se pelos estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia e norte de Minas Gerais.

A área total é de aproximadamente 1.100.000 km². O cenário árido é uma descrição da Caatinga - que na língua indígena quer dizer Mata Branca.


Caracterização    

A caatinga tem uma fisionomia de deserto, com índices pluviométricos muito baixos, em torno de 500 a 700 mm anuais. Em certas regiões do Ceará, por exemplo, embora a média para anos ricos em chuvas seja de 1.000 mm, pode chegar a apenas 200 mm nos anos secos.

A temperatura se situa entre 24 e 26 graus e varia pouco durante o ano. Além dessas condições climáticas rigorosas, a região das caatingas está submetida a ventos fortes e secos, que contribuem para a aridez da paisagem nos meses de seca.

As plantas da caatinga possuem adaptações ao clima, tais como folhas transformadas em espinhos, cutículas altamente impermeáveis, caules suculentos etc. Todas essas adaptações lhes conferem um aspecto característico denominado xeromorfismo (do grego xeros, seco, e morphos, forma, aspecto).

Duas adaptações importantes à vida das plantas nas caatingas são a queda das folhas na estação seca e a presença de sistemas de raízes bem desenvolvidos. A perda das folhas é uma adaptação para reduzir a perda de água por transpiração e raízes bem desenvolvidas aumentam a capacidade de obter água do solo.

O mês do período seco é agosto e a temperatura do solo chega a 60ºC. O sol forte acelera a evaporação da água das lagoas e rios que, nos trechos mais estreitos, secam e param de correr. Quando chega o verão, as chuvas encharcam a terra e o verde toma conta da região.

Mesmo quando chove, o solo raso e pedregoso não consegue armazenar a água que cai e a temperatura elevada (médias entre 25oC e 29oC) provoca intensa evaporação. Por isso, somente em algumas áreas próximas às serras, onde a abundância de chuvas é maior, a agricultura se torna possível.

Na longa estiagem, os sertões são, muitas vezes, semi-desertos e nublados, mas sem chuva. O vento seco e quente não refresca, incomoda. A vegetação adaptou-se ao clima para se proteger. As folhas, por exemplo, são finas, ou inexistentes. Algumas plantas armazenam água, como os cactos, outras se caracterizam por terem raízes praticamente na superfície do solo para absorver o máximo da chuva.

Os cerca de 20 milhões de brasileiros que vivem nos 800 mil km2 de Caatinga nem sempre podem contar com as chuvas de verão. Quando não chove, o homem do sertão e sua família sofrem muito. Precisam caminhar quilômetros em busca da água dos açudes. A irregularidade climática é um dos fatores que mais interferem na vida do sertanejo.

O homem complicou ainda mais a dura vida no sertão. Fazendas de criação de gado começaram a ocupar o cenário na época do Brasil colônia. Os primeiros a chegar pouco entendiam a fragilidade da Caatinga, cuja aparência árida denuncia uma falsa solidez. Para combater a seca, foram construídos açudes para abastecer de água os homens, seus animais e suas lavouras. Desde o Império, quando essas obras tiveram início, o governo prossegue com o trabalho.

O CERRADO

 

O cerrado é uma vegetação característica da parte central do Brasil. Ocupa cerca de 20% do território nacional, aproximadamente 2 milhões de km2, sendo a segunda maior formação vegetal brasileira. Trata-se de uma das principais áreas de ecossistemas tropicais da Terra, sendo um dos centros prioritários para a preservação da biodiversidade do planeta. O cerrado engloba 1/3 da biota (flora e fauna juntas) brasileira e 5% da mundial.

O clima típico da região dos cerrados é quente, semi-úmido, com verão chuvoso e inverno seco. Os solos são geralmente muito antigos, quimicamente pobres e profundos.

A paisagem do cerrado é caracterizada por extensas formações savânicas, interceptadas por matas ciliares ao longo dos rios e nos fundos de vale.

Estudos, estimam o número de espécies vegetais em torno de 10 mil; e que mais de 1.600 espécies de mamíferos, aves e répteis já foram identificados nos ecossistemas de cerrado.

O relevo do Cerrado é em geral bastante plano ou suavemente ondulado, estendendo-se por imensos planaltos ou chapadões. Cerca de 50% de sua área situa-se em altitudes que ficam entre 300 e 600 m acima do nível do mar; apenas 5,5% vão além de 900m.  

 

ANIMAIS DO CERRADO

Entre os invertebrados, os mais notáveis são os cupins e as formigas cortadeiras (saúvas). São eles os principais herbívoros do cerrado, tendo uma grande importância no consumo e na decomposição da matéria orgânica, assim como constituem uma importante fonte alimentar para muitas outras espécies animais. Abelhas também têm papel fundamental na polinização das flores e gafanhotos apresentam grande riqueza de espécies e significativa importância como herbívoros.

Entre as aves do cerrado destacam-se: andorinha, anu-preto, anu-branco, azulão, beija-flor, bem-te-vi, canário-da-terra, chupim, codorna, coruja, gavião-carrapateiro, gavião carcará (caracará), gavião-pomba*, gralha, joão-de-barro, macuco*, maritaca, mergulhão*, mutum*, papagaio*, pássaro-preto, perdiz, pica-pau*, quero-quero, rolinha, sabiá*, seriema, tiziu, tucano (tucanuçu), urubu-preto.

Entre os animais, destacam-se: anta, capivara, cateto, queixada, paca, onça-parda*, onça-pintada*, jaguatirica*, lobo-guará*, cachorro-do-mato*, gambá, preguiça*, lontra*, tatu-bola*, tatu-canastra*, preá, tamanduá*, veado-campeiro*, calango, teiú, sauá*, guariba*, sagüi*, cobra-coral verdadeira e falsa, cobra-cipó, jibóia, urutu, cascavel, jararaca e morcego.

* ameaçados de extinção

 

VEGETAÇÃO DO CERRADO  

As árvores do cerrado são muito peculiares, com troncos tortos, cobertos por uma cortiça grossa, cujas folhas são geralmente grandes e rígidas. Os troncos tortos podem ser considerados como um efeito do fogo no crescimento dos caules, impedindo-os de se tornarem retilíneos pois pelas mortes de sucessivas gemas terminais e brotamento de gemas laterais, o caule acaba tomando uma aparência tortuosa. A espessa camada de súber (tecido formado por células mortas) que envolve troncos e galhos no Cerrado é outra característica interpretada como uma adaptação ao fogo. Agindo como isolante térmico, o súber impediria que as altas temperaturas das labaredas atingissem os tecidos vivos mais internos dos caules. Muitas plantas herbáceas (porte de erva) têm órgãos subterrâneos, onde são armazenados água e nutrientes. Cortiça grossa e estruturas subterrâneas podem ser interpretadas como algumas das muitas adaptações desta vegetação, que lhe permite subsistir às secas e às queimadas periódicas a que é submetida, protegendo as plantas da destruição e capacitando-as para rebrotar após o período de estiagem e/ou após o fogo. Dentro do solo, a 1, 2, 5 cm de profundidade, a temperatura pode elevar-se apenas em alguns poucos graus. Uma pequena camada de terra é suficiente para isolar termicamente todos os sistemas subterrâneos que se encontram sob ela, fazendo com que mal percebam o fogaréu que lhes passa por cima. Graças a isto, estas estruturas conseguem sobreviver e rebrotar poucos dias depois, como se nada houvesse acontecido.

O Cerrado não é uma região uniforme quanto a vegetação. Existem ali classificações diferentes de vegetação, conforme a densidade de árvores por área:

- Campo limpo - com vegetação predominante e quase exclusiva de gramíneas.

- Campo sujo - possui cerca de 15% de árvores e arbustos, os quais concentram-se geralmente em "ilhas" de vegetação.
- Cerrado típico - com árvores mais espaçadas e de menor porte.
- Cerradão - com vegetação exuberante, composta de árvores médias e altas, porém ainda com um percentual  de vegetação baixa e arbustos.

- Campo rupestre – encontrado em áreas de contato do cerrado com a caatinga, solo raso e sofrem bruscas variações em relação à profundidade, drenagem e conteúdo nutricional. Composto por vegetação arbustiva.

- Matas ciliares – Matas fechadas que ocorrem em nascentes ou ao longo de cursos d’água, em regiões mais férteis. Se assemelham à região de Mata Atlântica, muitas vezes repetindo as mesmas espécies desta.

-  Vegetação de afloramento de rocha maciça – representada por cactos, liquens, musgos, bromélias e ervas.

A diversidade das árvores do Cerrado é muito grande, e por esperarmos sempre uma vegetação dura e de “casca grossa” em todos os sentidos, sempre nos surpreendemos com flores de grande beleza e delicadeza. Muitas vezes, na época de chuvas, as próprias folhas novas têm uma suave tonalidade de flor, destacando-se na paisagem agreste.